Foi muito mais que uma mão!

O Brasil é eliminado pelo Peru na fase de grupos da edição mais importante da Copa América. Deveria ser chocante, mas não é. Faz, no mínimo, uns 6 anos que estamos acostumados com vexames, mas essa não é a parte mais triste da recente história da nossa Seleção.



A eliminação recente mais 'aceitável' é contra a Holanda, de virada, com um jogador a menos. Dai pra frente, o grau de vergonha parece aumentar e, quando você acha que não da pra piorar, os jogadores e o técnico te mostram o contrário. 
Se tratando de Brasil, sempre da pra piorar...
Eu não sei se me preocupo mais com o futuro canarinho ou com o que eu vou falar pro meu sobrinho, de 7 anos, que não conseguiu ver um time decente do Brasil. Quando ele perguntar, vou ser obrigado a comentar sobre quando fomos eliminados para o Paraguai, perdendo 4 pênaltis. Sobre assistir a maior goleada já sofrida por nosso time, em nosso país, da forma mais humilhante possível. Sobre essa semana, em que conseguiram a proeza de assistir o Peru nos eliminar com um gol de mão! Talvez eu nem fale nada pra ele e mude de assunto, pois eu não sei se choro de raiva, ou de saudade. Saudade esta de um tempo nem tão remoto assim. Não preciso ir muito longe pra achar jogadores que com uma perna dariam mais trabalho para a zaga peruana. Mas acreditem, essa não é a parte mais triste.

Nosso camisa 9 até esses dias era reserva no Grêmio, e o centro avante que foi cortado para que sua entrada acontecesse tem apenas 39 anos. Nosso meio campo, um dos maiores jogadores do mundo, só foi convocado por conta de outro corte no elenco, e sua estadia na seleção durou tanto quanto sua saúde muscular. Nosso segundo volante e nosso zagueiro jogam no grandioso futebol chinês e nosso melhor jogador não serviu seu país pois a equipe em que atua não permitiu. O primeiro time que nosso técnico treinou foi a própria seleção brasileira e, como se errar uma vez não fosse suficiente, mais uma vez ele protagoniza uma humilhação, que ao meu ver é tão grande quanto o 7x1 de Felipão e seus amigos. Mas sabe o que é pior? Sabe qual o ponto mais triste disso tudo? É que não há ninguém melhor pra pôr no lugar. E o mais deprimente é que você também sabe disso. E se você duvidar, pode tentar responder essa pergunta: Que meia atacante nós temos no futebol de hoje que são melhores (ou menos piores) que Philippe Coutinho e Willian? Que armador hoje é melhor que Lucas Lima, que aliás, fez uma partida pífia contra o Peru? Que técnico hoje será melhor que Dunga no comando da seleção? Você pode ter nomes, mas deve concordar que eles, no máximo, se equiparam a esses que citei.
Especificamente sobre o comando, o nome de Tite já é ventilado aos quatro cantos da
CBF (outra culpada). Mas e o risco que corremos? Alguém se lembra de Mano Menezes, que no auge de sua insanidade, convocou Jucilei, RESERVA do Corinthians, para vestir a amarelinha? Está difícil confiar 100% em qualquer candidato, e está mais difícil ainda confiar no nosso salvador! Nosso camisa 10, capitão e ídolo não estava em campo. No mesmo horário do jogo, estava em Las Vegas, comemorando sabe-se lá o quê com seus 'amigos'. E em post na sua conta no Instagram, chamou todos que criticariam a seleção de 'babacas'. Sim, para o Neymar, eu, você, todos nós somos babacas. Nos xingou por criticarmos a seleção que ele não fez questão nenhuma de defender, e que sequer deve ter assistido ao jogo pela televisão.

A questão não é mais a chuteira preta, a camisa dentro do calção, a cara de bravo. O buraco é mais embaixo. É questão de RESPEITO! Dentro e fora de campo. Respeito comigo, contigo, com o país. E com o adversário, ai sim, caberá a FALTA DE RESPEITO. Com todo 'respeito', mas devemos mesmo respeitar o Peru? Uma seleção em que o maior jogador de sua história vive uma fase mediana no Flamengo? Os papéis se invertem aqui, meus amigos. O respeito mudou de lado, o mundo está ao contrário, o futebol já não é o mesmo e eu, sinceramente, não consigo acreditar em futuro melhor. Tento, mas não consigo.
Meu ultimo lampejo é a equipe das Olimpíadas. Gabriel Jesus, Gabigol, Rodrigo Caio e nosso ÍDOLO Neymar. Se nossas crianças não vingarem os erros dos adultos, não tem mais quem poderá fazer isso.